Sebrae/MS apoia empreendedores que transformam tradições culturais em produtos e serviços com mercado no Brasil e no exterior
De seres míticos como Yasí Yatere e Caipora, até lendas locais como o Dragão dos Ventos e a Caverna do Guerreiro, o folclore de Mato Grosso do Sul vem se transformando em uma poderosa fonte de inspiração para empreendedores da economia criativa. A partir de narrativas tradicionais, artesãos, guias turísticos e artistas do Estado estão criando produtos e serviços que movimentam o mercado local e já conquistam espaço também fora do Brasil.
Em agosto, mês dedicado à celebração do folclore brasileiro, o Sebrae/MS destacou que tem apoiado empreendedores que investem nessas tradições para gerar renda, fortalecer a identidade cultural e ampliar o alcance de seus trabalhos.
Tradição que vira produto
Em Corumbá, a artesã Gisele Monteiro, do Gily Ateliê, cria bonecos que representam o Mestre Cururueiro, figura central nas festas juninas, além de bonecas inspiradas na cultura afro-brasileira. “Conseguir trabalhar com o que se ama é maravilhoso e enriquece o que temos de nosso, que é a cultura”, afirma.
Outro exemplo é Sebastião de Souza Brandão, mestre cururueiro de Ladário. Além de preservar a tradição da viola de cocho em seu ateliê e museu de memória, ele promove oficinas para perpetuar o conhecimento. “Esse é um amor que sigo: compartilhar a música, o instrumento e o conhecimento que veio pelo meu pai”, conta.
Em Aquidauana, o guia ambiental Rubens dos Santos aposta no turismo cultural. Na Trilha Encantada de Camisão, ele mescla história e natureza ao conduzir visitantes por locais como a Caverna da Cabeça do Dragão e o Morro do Paxixi, transformando passeios em experiências sensoriais e históricas.
Já em Campo Grande, a artesã Marina Torrecilha, do ateliê Copa de Barro, cria peças inspiradas em figuras como o Saci, Yasí Yatere, Matinta Perera e Caipora. Suas esculturas, canecas e tabuleiros de xadrez já chegaram a países como Alemanha, França, Itália, Japão e Estados Unidos. “Nossas narrativas são ricas e precisamos nos apropriar do que é nosso. As pessoas se conectam automaticamente quando encontram nossa identidade representada”, destaca.
Apoio do Sebrae/MS
De acordo com a analista-técnica do Sebrae/MS, Daniele Muniz, o setor da economia criativa representa cerca de 0,8% do PIB brasileiro, movimentando bilhões de reais. Em Mato Grosso do Sul, são mais de 8 mil artesãos formalizados, além de inúmeros profissionais ainda em processo de estruturação de negócios.
“O Estado tem vocação para o setor e reconhecemos esse potencial. São economias portadoras de futuro, que envolvem sustentabilidade, tradição e distribuição de riqueza. É possível precificar esse valor e fortalecer ainda mais os empreendedores”, explica.
O Sebrae/MS atua em várias frentes de capacitação e gestão, com projetos como o Raízes Criativas, em cidades do Norte e Oeste do Estado, além de oficinas, apoio em marketing digital e estratégias para captação de recursos.
Cultura como futuro econômico
A junção entre tradição e inovação mostra que o folclore pantaneiro e sul-mato-grossense é mais do que patrimônio cultural: é também fonte de renda, turismo e desenvolvimento sustentável.
Fonte:
Agência Sebrae de Notícias






